A Plataforma Sindical entrega esta quinta-feira ao Ministério da Educação uma proposta conjunta de modelo de avaliação. Na quarta-feira, na reunião entre ministra e líder da Fenprof nenhum cedeu. O Governo também deve hoje apresentar alterações ao processo.A agitação é evidente, tanto assim que o presidente da República, Cavaco Silva, disse, ontem, ter "muita pena" que o seu recente apelo para a serenidade no sector da educação não tenha aparentemente surtido qualquer efeito.
O secretário de Estado adjunto, Jorge Pedreira, garantiu ontem, à saída de uma reunião com presidentes dos conselhos executivos do Alentejo e Algarve que "nos próximos dias o Ministério da Educação (ME) terá respostas, muito significativas e importantes, para corrigir o que deve ser corrigido e fazer, nas melhores condições possíveis a avaliação".
Ontem a ronda de auscultação aos agentes educativos terminou num impasse, aparentemente, indissolúvel. Os sindicatos colocaram como pré-condição negocial a suspensão da avaliação e a ministra garantiu que não cede. "Ouviu as opiniões sem apresentar qualquer proposta", referiu Mário Nogueira. O JN sabe que hoje a Plataforma Sindical de Professores entregará na 5 de Outubro uma proposta conjunta de modelo de avaliação para abrir a possibilidade de novas negociações. Os sindicatos, recorde-se, já haviam divulgado propostas alternativas ao modelo actual mas individualmente. A iniciativa também choca com os discursos afinados de ontem da equipa governativa: tanto os secretários de Estado da Educação como o ministro dos Assuntos Parlamentares acusaram os sindicatos de inflexibilidade.
"Quem está indisponível e intransigente para negociar não é o Ministério", sublinhou Jorge Pedreira. Enquanto, Augusto Santos Silva acusou a Fenprof de "extremismo" e de agravar, ainda mais, conflito por ter "abandonado" a reunião com a ministra.
"Talvez o ministro antes de produzir essas afirmações, tivesse feito bem telefonar à senhora ministra para saber se alguma organização abandonou a reunião. SE tivesse feito, escusava de ter asneado", reagiu Nogueira.
A reunião entre o secretário-geral da Fenprof e a ministra não chegou a demorar 30 minutos. Cada um foi claro nas suas posições e ficaram "sem ter mais nada que dizer". Mário Nogueira reafirmou que se "o Ministério mantiver a sua posição" todos os protestos agendados concretizam-se e serão agendados mais.
A lista de escolas com o processo suspenso já ultrapassou as 170, garantiu. "Cada dia que passa agravam-se as condições de trabalho nas escolas", insistiu, manifestando a convicção de que "o país percebe" ser "a teimosia do Governo que está a piorar a qualidade do ensino". Os sindicatos acusam a tutela de pressionar os professores ao enviar para os seus mails a mensagem de que podem preencher a ficha de objectivos individuais na página electrónica da Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação.
Álvaro Almeida Santos(???), presidente do Conselho de Escolas (CE), não acredita que o modelo de avaliação seja suspenso e por isso considera que "há alterações de operacionalização do modelo, algumas com certa profundidade, que devem ser aprovadas".
O CE aprovou segunda-feira, recorde-se, após reunião com a ministra um parecer que defende a suspensão do modelo "até um novo, mais exequível, ser aprovado". Um parecer alternativo que defendia alterações ao actual modelo foi rejeitado.
Uma hipótese "é refutada à partida por todos os conselheiros: a manutenção do actual modelo tal como está", afirmou ao JN.
in JN

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