Mário Nogueira ameaçou ontem fazer greves durante o período das avaliações dos alunos, durante mais um protesto de professores, que voltaram às ruas de Lisboa para um cordão humano entre o Ministério da Educação e a Assembleia da República.'Vamos voltar às grandes acções de luta no 3º período e tudo está em cima da mesa, mesmo greves coincidentes com períodos de avaliação dos alunos', disse o porta-voz da Plataforma Sindical, frisando que 'serão os professores a decidir' as acções a tomar, numa semana de consulta entre 20 e 24 de Abril.
Novidade foi o facto de Mário Nogueira ter entrado no jogo eleitoral, lançando um apelo aos partidos. 'Queremos saber que propostas tem cada partido para resolver os problemas da Educação, talvez isso ajude os professores a decidir qual a sua opção de voto', disse, em cima de um pequeno palco junto às escadarias do Parlamento. Junto ao palco, a escutá-lo, estava Bernardino Soares (PCP), Miguel Portas e Ana Drago, ambos do Bloco de Esquerda. E também Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP.
O dirigente sindical acusou o Governo de intransigência nas recentes negociações, responsabilizando o executivo caso os alunos sejam prejudicados. 'Demos todas as oportunidades ao Governo e eles deitaram fora mas podem ter a certeza de que vão arrepender-se', afirmou, frisando que 'ao contrário do que disse o secretário de Estado Jorge Pedreira 'a Plataforma está unida.
A PSP não forneceu os números do protesto – 'não estamos autorizados', disse um oficial ao CM. Mas segundo Nogueira, foram 'cerca de dez mil'. Entre a 5 de Outubro e o Marquês de Pombal havia cortes no cordão mas a partir daí era mais compacto. O protesto acabou por não ir até à residência oficial do primeiro-ministro. 'Ao contrário do ME e de todos os grupos parlamentares, o gabinete do primeiro--ministro disse-nos que não estava disponível para nos receber. É este o exemplo que dá o chefe de Governo', afirmou Nogueira.
'HÁ DE FACTO COISAS QUE NÃO CORRERAM BEM'
A Plataforma Sindical foi ontem recebida no Parlamento por todos os grupos parlamentares. O destaque vai para as declarações do deputado do PS Luiz Fagundes Duarte, que admitiu problemas. 'Não é preciso fazer qualquer acto de inteligência superior para perceber que há, de facto, coisas que não correram bem, como a avaliação',(???) afirmou, apelando também a uma maior 'maleabilidade' dos sindicatos face 'ao esforço de revisão das suas decisões' do Governo.
JORGE PEDREIRA: 'NÃO HOUVE CORDÃO HUMANO'
O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, considerou o protesto um fracasso. 'O objectivo que tinham – ligar o Ministério da Educação à residência do primeiro-ministro – não foi conseguido. Não houve cordão humano', disse, acusando os sindicatos de 'inflexibilidade' nas negociações com o Governo. Pedreira acusou ainda os sindicatos de 'hipocrisia' responsabilizando-os pela instabilidade nas escolas.
DEPOIMENTOS
'HÁ UM CLIMA PIDESCO EM ALGUMAS ESCOLAS' (Maria Nogueira, 44 anos, Prof.ª Artes Visuais em Soure)
'Não entreguei objectivos individuais como a maioria na minha escola. Os contratados entregaram por medo. Há um clima de medo, quase pidesco, em algumas escolas.'
'A NOSSA LUTA AINDA NÃO TEVE RETORNO' (Joaquim Pessoa, 37 anos, Prof. Matemática, Montemor-o-Velho)
'A nossa luta ainda não teve retorno, as concessões são provisórias. A ministra devia ir às escolas ver as asneiras que fez, as trincheiras que foram cavadas entre professores.'
'CONCURSO DE TITULARES FOI UMA LOTARIA' (Margarida Castro, 45 anos, Prof.ª Português, Coimbra)
'Não sou titular porque no meu departamento só havia 3 vagas para 15. Já na escola ao lado havia muitas vagas. O concurso foi uma lotaria mas tive de deixar de ocupar um cargo.'
in CM
Nota: É inacreditável o reconhecimento inequívoco deste deputado do PS . Ele e os demais que muito contribuiram para a grande trapalhada que aconteceu na Educação. Quem o viu na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência e quem o vê. Pois é... Pois é... em Outubro há nova legislatura.



